Mercados

Ações da Oracle caem com altos gastos com IA e planos de endividamento assustando investidores

Os papéis da Oracle recuavam 7,2% nas negociações pré-mercado desta quinta-feira (11), cotados a US$ 186,70, depois que a companhia sediada em Austin, no Texas, revelou um plano de despesas de capital que pode chegar a US$ 95 bilhões no ano fiscal de 2027. O programa prevê a captação de cerca de US$ 40 bilhões em dívida e ações, o que derrubou também as ações da SAP e da Capgemini na Europa.


Quinta - 11 de Junho de 2026 às 16:13

Os papéis da Oracle recuavam 7,2% nas negociações pré-mercado desta quinta-feira (11), cotados a US$ 186,70, após a gigante de computação em nuvem revelar um plano de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) bem acima do previsto pelo mercado. Caso o tombo se mantenha ao longo do pregão, a companhia sediada em Austin, no Texas, pode perder mais de US$ 40 bilhões em valor de mercado.

O programa de despesas de capital divulgado na noite de quarta-feira prevê aporte de até US$ 95 bilhões apenas no ano fiscal de 2027, recursos que serão financiados em parte por meio da emissão de cerca de US$ 40 bilhões em dívida e ações. No exercício anterior (fiscal 2026), a empresa já havia desembolsado US$ 55,66 bilhões, ultrapassando a meta inicial de US$ 50 bilhões, depois de anunciar em fevereiro a captação de US$ 50 bilhões em títulos e papéis.

Setor de TI na Europa também sofre

O resultado também contaminou o humor das empresas de tecnologia da informação (TI) na Europa, que já operavam em baixa após um rebaixamento de recomendação feito pelo UBS Global Wealth Management. As ações da SAP recuavam 4,4%, enquanto os papéis da Capgemini cediam 3,6%.

Endividamento crescente preocupa o mercado

Na corrida para não ficar para trás diante dos chamados hyperscalers — operadoras massivas de nuvem como Amazon, Microsoft e Google —, a Oracle combina expansão acelerada com um endividamento crescente e geração de caixa pressionada, o que levanta dúvidas sobre o prazo para que tamanho aporte comece a dar retorno.

"Diferentemente desses grandes concorrentes, a Oracle não tem uma montanha de caixa nem gera volumes enormes de fluxo de caixa antes de entrar nesse ciclo de investimentos", avaliou Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell. "Isso a torna mais dependente dos mercados para financiar seus projetos, e os investidores parecem reticentes com a ideia de levantar mais US$ 40 bilhões."

Visão mais otimista do J.P. Morgan

Apesar do cenário adverso, analistas do J.P. Morgan enxergam o movimento como um sacrifício necessário para turbinar o crescimento de receita no longo prazo. A corretora avalia que a demanda deve sustentar o otimismo, desde que a divisão de nuvem da Oracle siga crescendo em ritmo superior ao das principais hiperescaladoras.

O J.P. Morgan, porém, alerta para riscos de execução, como a expansão dos data centers, a manutenção das reservas contratadas e a gestão do crescente estoque de dívida.

Projeção do Morgan Stanley

Em estimativa recente, o Morgan Stanley projeta que a dívida corporativa emitida no mundo para bancar projetos de IA vai praticamente dobrar de tamanho em 2026, chegando à casa dos US$ 570 bilhões. Segundo o banco, o gasto combinado das hiperescaladoras deve ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão até 2027.

Reportagem de Kanishka Ajmera, em Bengaluru

Oracle Inteligência Artificial Mercados Financeiros