A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) quer transformar a tecnologia por trás dos alertas emergenciais da Defesa Civil em uma ferramenta de busca por pessoas desaparecidas. A proposta foi apresentada na quarta-feira (10) durante audiência pública na Comissão de Comunicações da Câmara dos Deputados.
A ideia central é reaproveitar o Cell Broadcast (sistema de difusão celular em massa), recurso já presente no Defesa Civil Alerta, para disparar milhares de mensagens simultâneas aos celulares de determinada região, comunicando um novo caso de desaparecimento.
A apresentação ficou a cargo da superintendente de Controle de Obrigações da Anatel, Suzana Rodrigues. Segundo ela, a operação seguirá diretrizes bem definidas, com a indicação de uma autoridade pública responsável por acionar os alertas. Entre as garantias anunciadas estão critérios rigorosos para os disparos e gratuidade no tráfego de dados para o cidadão.
Na prática, o Cell Broadcast enviaria uma mensagem curta informando sobre o desaparecimento. Como o sistema não suporta o envio direto de imagens pesadas, a solução seria incluir um link no texto, que abriria uma página oficial com a fotografia e os detalhes do caso.
Como o Cell Broadcast funciona
Muitos brasileiros já receberam alertas do Cell Broadcast sem saber o nome da tecnologia. No país, ela é empregada principalmente para avisar a população sobre desastres climáticos, como chuvas fortes e risco de deslizamentos. As mensagens são breves, mas têm a vantagem de alcançar milhões de pessoas em poucos minutos, funcionando como um último estágio de comunicação quando há risco à vida.
De acordo com o governo federal, o sistema da Defesa Civil já cobre mais de três mil municípios em 27 estados. Para a Anatel, essa amplitude torna a ferramenta especialmente útil para localizar crianças e adolescentes sumidos.
A própria agência, no entanto, reconhece que o caminho até a operação plena ainda exige cautela. Antes de qualquer acionamento em larga escala, será necessário um projeto-piloto para testar cenários de fraude, acessibilidade e proteção de dados pessoais.